Há almoços de domingo, e depois houve o Folly & Feast Vol.4 — realizado no alto de Lisboa, no rooftop do Ando Living, onde o rio parece esticar-se o suficiente para abrandar o ritmo cardíaco de todos em meio batimento. Foi o tipo de tarde que não precisou de muitos adornos: sol, uma brisa suave e uma mesa cheia de pessoas prontas para se instalarem por algumas horas sem pressa.
A cozinha foi confiada a Ali Bilton, mãe de Tom, o diretor-geral da Howard's Folly, e uma chef cuja carreira passou por cozinhas com estrelas Michelin, salas de jantar reais e até pela equipa McLaren de F1 durante os anos de Senna e Prost. Não é uma experiência de assado de domingo comum, mas, mais uma vez, este não foi um domingo comum.
As coisas começaram com um piscar de olhos: Carcavelos Bloody Marys 1995, uma combinação que parecia ligeiramente rebelde, mas que fazia todo o sentido uma vez provada — saborosa, reconfortante e decadente o suficiente para sinalizar que o dia iria desenrolar-se ao seu próprio ritmo. O Sonhador Rosé 2024 juntou-se à festa, brilhante e arejado, o tipo de vinho que parece feito à medida para rooftops e longos almoços.
A entrada — patê de cogumelos com shiitake marinado e chalotas em conserva — era terrosa, sedosa e discretamente confiante. O Sonhador Branco 2024 interveio com a sua frescura e leveza suave, dando ao patê o brilho suficiente para manter as coisas animadas sem ofuscar o prato.
Então chegou o momento que todos esperavam: costeleta de vaca assada com todos os acompanhamentos. Batatas crocantes, molho adequado, Yorkshire puddings que mantinham a forma, vegetais cozinhados com cuidado — o tipo de prato que nos faz sentir nostalgia dos domingos que desejávamos ter tido na infância. O Sonhador Tinto 2020 foi o parceiro natural, generoso e estruturado, o tipo de tinto que se encaixa confortavelmente no ritmo de um assado.
A sobremesa chegou com um floreio: rolo de merengue com framboesa, Drambuie e creme de maracujá, leve o suficiente para nos manter a comer, indulgente o suficiente para nos fazer parar. E aqui o Howard's Folly Carcavelos 1995 regressou — desta vez não num Bloody Mary, mas na sua forma pura e âmbar. A sua doçura suave e profundidade delicada envolveram o rolo lindamente, o tipo de harmonização que nos faz fechar os olhos por um momento mais longo do que o pretendido.
Ao fim da tarde, o rooftop tinha adquirido aquele zumbido suave e satisfeito que só os bons almoços conseguem criar. As pessoas demoraram-se, o rio continuava a brilhar, e Ali moveu-se entre as mesas com a satisfação discreta de quem sabe que alimentou bem as pessoas.
Não foi um evento complicado. Não precisava de ser. Apenas um cenário bonito, cozinha atenciosa e vinhos que se sentiam perfeitamente em casa ao sol. Um domingo digno de ser recordado.

